Por quê não refletimos sobre a educação que tivemos?

Por quê não refletimos sobre a educação que tivemos? E tomamos frases prontas como “certo”?

Começando o texto com as mais ditas:

“Você mima demais o seu filho”
“Eu apanhei e não morri”

1. As pessoas confundem mimar com afeto. Acham que mimar é dar colo, abraçar, beijar, acolher o choro! É um ciclo que muitos insistem em se manter e aceitam como normal na educação dos filhos. Isso ocorre de forma inconsciente ou por não aceitarem que os próprios pais erraram ou o magoaram. Todos nós erramos. Ninguém é perfeito. É por isso que o ser humano possui capacidade de raciocínio para ir em busca de crescimento e maturidade.

Rapidamente as pessoas acolhem o choro da criança como frescura. O choro é o modo que ela tem de se comunicar, de buscar acolhimento, ajuda. É a forma de expressar algo que cognitivamente ela ainda não é capaz de entender.

Mimar é fazer pelo seu filho algo que ele já é capaz de fazer sozinho. É tirar dele a oportunidade de ter autonomia sobre coisas que ele já é capaz de fazer.

Dar colo, dar carinho… é amor, afeto!

2. Tudo bem, não morreu. Faço então a seguinte pergunta, até de forma áspera: era pra morrer? Outro dia lendo vários artigos na internet, me dei conta de quantas situações o “bater” é entendido como “agressão”, e esta, entendida como “crime”. Bater no idoso, na mulher… são atos que se configuram como agressão. Verifique o código penal: é crime.

Então porque bater na criança é normal? É “educativo”? É “pra ele aprender”? Um ser indefeso, não tem força física pra se defender, não tem maturidade emocional, nem psicológica para compreender o motivo da agressão. Por quê a punição em forma de agressão teria efeitos positivos na educação da criança?

Com a atitude agressiva, não estou ensinando sobre educação saudável, estou ensinando a ser agressivo, a resolver tudo de forma violenta. E não se iluda, é isso que irá acontecer.

“Ah, eu apanhei, mas eu não saio por aí agredindo as pessoas”. Talvez não fisicamente, mas provavelmente de outras formas (verbalmente, emocionalmente, psicologicamente, etc). Talvez a agressão seja dirigida a si mesmo. Ainda bem que muitos tomam consciência das próprias questões. A tomada de consciência é um processo libertador, todos deviam tentar.

A educação punitiva/agressiva só ensina seu filho a esconder tudo de você e a repetir o mesmo comportamento consigo e com o outro.

Acredite, ele repetirá 80% mais o que você faz do que o que você fala.

Então porquê adotamos a educação que tivemos como algo absolutamente certo, sem possibilidade de reflexão ou reelaboração? Os tempos mudam, hoje temos acesso a informação e bons profissionais que podem nos orientar.

Esse é um texto Reflexivo sobre si, sobre a educação que tivemos e o modo como educamos nossos filhos, não é um texto com verdades absolutas. Não há nada de errado em repensarmos e refletirmos sobre o que nos ensinaram, sobre o modo como fomos educados.

Muito do que nos fizeram, nos trazem sofrimento até hoje, causaram nossos complexos e dificuldades pessoais. Dificuldades estas, muitas vezes difíceis de superar, de elaborar, perdoar e seguir em paz!

Pense! Reflita! Reelabore! Ressignifique!

Ser mãe é aprender algo novo todos os dias! É crescer junto com seu filho.

É ressignificar as próprias crenças e se permitir à mudança!

Suzanne Leal
@diarioampla
@slilustracoes
Fb.com/diarioampla

One Reply to “Por quê não refletimos sobre a educação que tivemos?”

Deixe uma resposta