Qual a necessidade de expor o outro ao constrangimento?

Antes de desenvolver o tema referente ao título do texto, vou contar uma historinha:

“Fulana que estava passando por dificuldades pessoais, com sentimentos característicos de depressão, disse que um dia resolveu escrever sobre o que estava sentindo e compartilhar na internet. Gostaria de encontrar pessoas que estivesse passando pelas mesmas dificuldades. Fulana, com sentimentos de baixa autoestima e sentindo-se destroçada por dentro, decidiu criar coragem e falar sobre o que tanto lhe doía na alma. Escreveu como quem tira a roupa e se expõe com a coragem de não se importar em ser julgado. Falou e retratou seu desespero e sentimento de desvalia, os choros escondidos infindos e as noites em claro por tanto lhe doer o peito… enfim, encontrou uma imagem que tanto lhe tocou e sentiu que transmitia todo o sofrimento que havia exposto em palavras. Perfeito, acreditou e publicou corajosamente, esperando ansiosa conversar com alguém que compartilhasse de um sentimento ao menos parecido com o dela. Na foto, colocou os créditos e o nome do devido autor (era um direito dele, claro). Ao abrir a caixinha de comentários para verificar se alguém compartilhava dos mesmos sentimentos, se deparou com agressões verbais e públicas do autor da foto… Fulana se desesperou, imediatamente apagou o post e sentiu que nunca mais podia compartilhar seus sentimentos com mais ninguém, sentiu sua autoestima despedaçar-se ainda mais e fechou-se em sua tristeza. Fulana faz uso de antidepressivos. Foi demitida do emprego por faltar vários dias após esse episódio, seu medo de ser constrangida publicamente era tão intenso que não conseguia sair de casa”.

É uma história que tem dois lados, claro! E apesar de para uns parecer exagero, a fulana já estava completamente fragilizada, adoecida e com dificuldades pessoais que lhe assombravam.

 

Mas o lado que não entendo, é o lado do constrangimento proposital diante do sofrimento do outro, da necessidade de expor a própria raiva (e justificar) sem avaliar a situação de fato. Não entendo a necessidade de constranger o outro moralmente para provar um direito. Se é um direito seu, estabelecido por lei, não há necessidade de praticar demais agressões (seja ela qual for). Afinal, você já está no seu direito.


Qual a necessidade de expor o outro ao constrangimento? É mostrar ao mundo que você está certo e o outro errado? É gritar e escarniar os seus direitos, não importa o direito do outro? É ter a oportunidade de inconscientemente expor sua raiva que esconde tão forçosamente atrás de máscaras com condutas exageradamente gentis? (e que assim possa justificar o modo como o outro agiu?)

Isto também é para lembrarmos de respeitar o espaço do outro, de sermos educados e respeitosos ao expor nosso ponto de vista (mesmo que estejamos certo e o outro errado). Não sabemos o que outro está vivendo!

A partir do momento que agrido o outro referindo e defendendo um direito meu, perco grande parte da minha validação em reclamar.

É preciso mais civilidade e educação!

É preciso mais empatia e respeito!

Nossa sociedade anda tão carente de humanidade!

A internet liberou um espaço de agressões infindáveis!

Sugestão de mudança para esse tipo de comportamento? Confesso que algumas atitudes me deixam desesperançosa… porque só posso mudar a mim!

Vale a reflexão (para quem estiver disponível para tal).

Este texto é a exposição de um ponto de vista! Você pode ficar à vontade para expor o seu!

Com educação, claro!

Luna Ranzani

Publicitária

 

Deixe uma resposta