BIG EYES – Os olhos da alma

Nunca tive dúvidas que os olhos são os retratos da alma. E Margaret Keane sabia bem como retratar o que havia em sua alma através das suas pinturas. O filme “Big Eyes” consegue transparecer bem os sentimentos da pintora através de suas imagens. Mas o que ele também consegue é ir além do que um mero filme autobiográfico. Consegue expor a alma da personagem transmitida em seus olhos e nas suas pinturas.

O filme também aborda a complexidade das relações humanas, demonstrando que nem sempre as escolhas são fáceis e que muitas vezes ficamos imóveis, seja por medo ou por qualquer outro motivo. Deixa claro que ficamos submissos (de uma forma geral) até mesmo àquilo que nos faz mal. Em “Big Eyes” fica evidente a submissão feminina, mas também fica evidente o medo de encarar a nós mesmos.

Você pode pensar: temos liberdade de escolha e autonomia para tal. Mas a liberdade de ação nem sempre nos acolhe de imediato. Muitas vezes a gente se paralisa e passa dias ou anos fincada nos próprios medos. É como se assistíssemos nossa própria vida passar pela janela. E para sair dessa imobilidade é preciso muita coragem para encarar o lado obscuro que existe em nós mesmos.

Muitas vezes criamos uma mentira para sustentar as aparências. Preocupamo-nos muito mais com o que os outros vão pensar do que com o nosso bem-estar. Talvez devêssemos pensar que podemos fazer e ser aquilo que desejamos, contanto que não seja prejudicial a si mesmo ou ao outro. Caso não seja, devíamos mergulhar e encarar o desconhecido.

Apesar do filme se passar na década de 50, mostra relações e conflitos bem atuais. O mais admirável é que a personagem conseguiu sair do lugar que a aprisionava, apesar de ter sofrido durante muito tempo (não só uma vez). Ela encarou o desconhecido sem olhar pra trás. E assim ela venceu, não a manipulação e o olhar de imposição do outro, mas venceu a si mesma (dentre todas as lutas que temos enfrentar, vencer a si é a mais difícil).

É um filme para se observar e analisar as sutilezas e grandezas que existem na nossa alma. Aquilo que nossos olhos transmitem e lutamos tanto para esconder. Deixando um pouco de lado a preocupação com a introspecção do texto, eu posso afirmar que me vi nos olhos de Margaret Keane (interpretada com muita delicadeza pela Amy Adams). Você não? Se sim, inspire-se e encare o desconhecido.

Suzanne Leal
Psicóloga
@suzannelealpsi
@diarioampla

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