Se todos fizessem terapia a vida continuaria uma merda

Ela finalmente compreendeu quando chegou à conclusão de que ninguém tinha a solução para os seus problemas.

Freud implicava sempre ao fazer esta pergunta: Qual a sua responsabilidade neste problema que lhe aflige? Sim, pois quase sempre se busca na terapia uma forma milagrosa de se livrar do que está insuportável naquele que vai  dizer o que fazer sem que se tenha muito esforço.

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Mas terapia nenhuma vai resolver seu problema se a sua postura for sempre de passividade. Vir de uma família disfuncional, não ter tido amor materno suficiente, figura paterna ausente, falas emudecidas ou olhares vazios e distantes, todos atravessamos essa fase chamado infância e dela temos restos. São estes restos que implicam na nossa vida adulta, são destes restos que adoecemos e replicamos num ciclo quase sem fim em nossas vidas.

Então a gente descobre que nunca se tratou de não ter tido amor suficiente, porque a palavra suficiente é só mais uma dessas palavras que usamos sem termos de fato a menor noção de seu significado.

Então só fazer terapia passivamente não resolve os conflitos de ninguém, inclusive a responsabilidade da escolha do profissional também é de quem buscou por ajuda, alguma pessoas se sabotam tanto que escolhem os piores profissionais como um jeito de continuar sofrendo. 


Suficiência não significa estar tão cheio de algo que dele podemos prescindir, ou nunca mais necessitar, afinal, o desejo não tem limite.

Suficiência só faz sentido quando a maturidade emocional adquirida em terapia nos leva à aceitação de nossa condição de inadequados, uma Insustentável condição de ser, a aceitação da falta.

Então do que o sujeito quer se curar? Freud responde: De sua própria condição de existir. 

É quando a gente chega à óbvia conclusão de que nunca se tratou de alguém para amar e ser amado, mas a gente ter alguém em quem pudesse sempre colocar a culpa.

É da culpa que nos curamos em terapia ao aceitarmos nossa própria responsabilidade em existir.

Jairo Carioca, Poeta, Teólogo, Psicanalista, Escritor e Pesquisador sobre o Uso Perverso da Corporeidade Feminina no Laboratório de Educação Gênero e Sexualidades da UFRRJ.

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