A arte do improviso no palco e na vida

É verdade que improvisar é uma prática que tem uma história, TÃO ANTIGA QUANTO O HOMEM.
E é igualmente verdade que todas as formas de arte tiveram, em algum lugar da sua origem, uma improvisação, contudo, restringimos as suas possibilidades quando a atribuímos ao simples ACASO:

“Ah, fui apresentar um trabalho e o projetor não funcionou, daí tive que improvisar!”
“Fui atender e na sala tinha uma goteira, tive que improvisar!”

Leia-se: inventei na hora uma outra coisa e deu certo.

Ou não deu. MAS EU INVENTEI, CRIEI NA HORA.

Parece que não, mas também há o conhecimento prévio de estórias de vida que nos possibilitaram adaptar a situação rapidamente, lá na base dessa “criação” espontânea.
Eu explico:
Nas Artes dramáticas, muito antes de holofotes acesos, os artistas precisam ler e reler diversas vezes, de diversas formas, um texto antes de montar uma cena experimentando todas as possibilidades desta. E mesmo quando vão montá-la, são semanas para que ela finalmente tome forma e fique firme.
Porque os artistas precisam formar antes um conhecimento prévio teatral: precisam ter uma estória de vida ali com aquele palco e com aquele contexto.

São dias e longas horas de “aula de improviso”: Improviso com objetos para a cena explorando todas as formas que aquele objeto pode ser útil; Improviso com os gestos: Andar, falar, tom de voz, jeitos de olhar. As intenções.

Experimentam tudo.
A fim de que tudo ali, componha a chamada “caixa de ferramentas”. Se houver algum contratempo em cena, ela está lá, para que possam (aí, sim) IMPROVISAR.

Improvisar nas coisas da vida ou nas coisas do palco, segue a mesma lógica: É UM JOGO RÁPIDO DE ESTRATÉGIAS PARA SITUAÇÕES INUSITADAS/NÃO PLANEJADAS.
E as “regras” do jogo vão sendo aprendidas ao longo das nossas estórias pessoais, dos nossos dias observando e escutando outras estórias próximas de nós e, dessa forma, seguem compondo a caixa de ferramentas de cada um.

Esse momento caótico de COVID-19 nos põe diante de uma ATUALIDADE IMPROVISADA e exige que usemos todas as ferramentas possíveis para improvisar modos de reorganizar a vida.
A pandemia chama o mundo todo para uma “cena surpresa”.

E estamos vendo como cada um consegue lidar.

Natália T. Montagner
CRP 06/114971
Psicóloga Clínica
Contato (14)998507012

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