Fatores que influenciam o transtorno opositor desafiador

FATORES QUE INFLUENCIAM O TRANSTORNO OPOSITOR DESAFIADOR: ESTÍMULOS FAMILIARES E ESCOLARES


INTRODUÇÃO:

Em constituição, todo o ser humano necessita de afeto e cuidados para a sua sobrevivência. Desde a infância essas condições são fundamentais para o progresso físico, psicológico e social do indivíduo. É importante ressaltar a família, pois têm papel indispensável nessa constituição, cuja o seu papel, se desenvolve a partir da relação familiar e bom investimento afetuoso. No entanto, algumas famílias e instituições escolares, enfrentam dificuldades no que tange o desenvolvimento escolar e psicossocial dos filhos, que apresentam comportamentos inadequados em diversos ambientes frequentados, como a residência, igrejas, shoppings e principalmente escolares, onde passam maior parte do seu tempo. Tais comportamentos, são classificados inadequados quando apresentam hostilidade; agressões físicas, verbais, resistência a regras, dificuldade socializar-se, dificuldade de comunicação, entre outros comportamentos. Entretanto, estes se apresentam com frequência e podem ser característicos do TOD (transtorno opositor desafiador), no qual se manifesta em 6% dos alunos na infância e adolescência com prevalência maior em meninos. Alunos que apresentam esses comportamentos muitas vezes são taxados como “aluno problema” por professores e alunos. Entretanto, família e professores têm dificuldade em identificar a causa e medidas preventivas para ajudar os alunos neste sentido.

OBJETIVO: identificar fatores que influenciam comportamentos disruptivos como o TOD e aplicar medidas interventivas, a fim de minimizar tais comportamentos.

METODOLOGIA: refere-se a revisão da literatura, baseada em trabalhos publicados em revistas científicas entre os anos 2004 à 2014.

RESULTADOS E DISCUSSÃO: os autores supracitados, concordam que no contexto familiar, cada pessoa deverá ter sua função representativa de pai e/ou de mãe. Este vinculo inicial é fundamental para criação de sentimentos de confiança. Visto que, as crianças tendem a imitar comportamentos de tais figuras, como forma de auxílio ao desenvolvimento humano. Isto é, a criança dependerá das referências que ela tem para sua criação. Portanto, se em seu ambiente familiar não existir investimento de afetos, compreensão e bom convívio familiar e por outro lado, presenciarem atritos familiares, sua família poderá se enquadrar num perfil “toxico”. Neste caso, observado como um dos fatores desencadeantes culturais, na qual se reflete o padrão de comportamentos hostis no laço familiar. Crianças e adolescentes, podem apresentar comportamentos conflituosos; birras, impaciência, intolerância a regras, auto estima baixa, dificuldades escolares e as relações interpessoais afetadas por causa de comportamentos hostis, justamente pelo fato de imitarem comportamentos das figuras representativas, nestas fases do desenvolvimento. Além disso, tais comportamentos podem se apresentar em vários ambientes sociais, principalmente na escola, na qual os mesmos passam maior parte do tempo. O ambiente escolar se torna a segunda residência desse indivíduo, se ele repete comportamentos hostis neste ambiente, algo precisa ser investigado. Estes comportamentos podem ser potencializados na escola, visto que, em alguns casos a ausência dos pais para atividades escolares, podem se tornar um gatilho para tais comportamentos do indivíduo. A escola é, portanto, um local onde as pessoas adentram para obter desenvolvimento pessoal, acadêmico e principalmente social. No entanto, a escola não é a única responsável pelo desenvolvimento humano, é essencial que escola e família caminharem juntos neste processo. Para realização de medidas interventivas, inicialmente é preciso que a família se atente aos comportamentos apresentados em casa, procure obter autoconscientização dessas mudanças, visto que, a família é o espelho de seus filhos. Estabelecer comunicação com os filhos dentro de casa se torna imprescindível, fazendo-o reconhecer que pode contar com o auxílio, ter mais interação através do lúdico, jogos em família, aderir estratégia de manejo parental, ou seja, ser criterioso com as regras sobre esse (as) filho(as), reforçar comportamentos bons por meio de elogios, extinguir comportamentos de birras, agressões, não os potencializando. É importante contar com a psicoterapia para melhor manejo e tratamento. Além disso, a família deve estabelecer vínculos de comunicação com a escola, onde possa acompanhar a rotina escolar e o comportamento dos filhos (as). Neste caso, a criança e/ou adolescente se sentirá acolhido por ambos, aumentando a possibilidade de melhor adequação aos ambientes, melhorando as relações e equilibrando seus comportamentos.

CONCLUSÃO: as famílias precisam estar atentas as mudanças efetivas ou parciais de seus filhos (as), pois constantemente seu universo infantil e adolescente estão em desenvolvimento. Buscando resposta para suas próprias questões, manifestadas frequentemente nas ações. Um choro, uma birra, comportamento agressivo seja físico e/ou verbal, demonstra que algo não está certo. No entanto, essa questão traz a reflexão sobre as atitudes da família, sendo o pontapé inicial para o progresso do indivíduo. Quando se descobre onde está o erro, é que, pode ser possível melhorar os comportamentos inadequados dos filhos (as). As mudanças devem iniciar em casa, para serem concretizadas na escola, onde então, iniciam-se as relações interpessoais. A família de hoje vai refletir o indivíduo de amanhã, portanto, antes de pensar em uma criança apresentando o TOD, deve se pensar em uma pessoa em desenvolvimento e que esta, precisa ser escutada, precisa de um ambiente familiar saudável, para que possa viver bem em sociedade.

Palavras-chave: Família; Escola; Comportamento; TOD (transtorno opositor desafiador)

REFERÊNCIAS:
APA – AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Tradução de Maria Inês Corrêa Nascimento et al. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014.
ASSUMPÇÃO JUNIOR, F. B.; KUCZYNSKI, E.; e cols. Qualidade de vida na infância e na adolescência: orientações para pediatras e profissionais de saúde mental. Porto Alegre: Artmed, 2010.
BARLETTA, J. B. Avaliação e intervenção psicoterapêutica nos transtornos disruptivos: algumas reflexões. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, p. 25-31, dez. 2011.
CALEIRO, F. M.; SILVA, R. S. Técnica de modificação do comportamento de crianças com treinamento de pais. Revista Psicologia, v. 15, n. 23, p. 129-142, 2012
GINÉ, C. A avaliação psicopedagógica. In: COLL, C.; MARCHESI, A.; PALÁCIOS, J. (Orgs.). Desenvolvimento psicológico e educação. Tradução de Fátima Murad. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004. p. 275-289.
SOUZA, N. V. Transtorno Opositor Desafiador – reflexões a respeito deste desafio. 2012. 32f. Monografia (Especialização em Psicopedagogia) – AVM Faculdade Integrada. Universidade Candido Mendes, Niterói, 2012.
WEBER, L. N. D. Eduque com carinho: para pais e filhos. Curitiba: Juruá, 2005

Por: Jacqueline Cardoso Miléo
Psicóloga
E-mail do autor: jackmileo@hotmail.com

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