Quanto custa o sucesso?

Vocábulo de etimologia latina, (sucessus), é apresentado nos melhores dicionários como: consequência exitosa, positiva; acontecimento favorável; resultado feliz; algo ou alguém que possui excesso de popularidade.

Mas sucesso é muito mais que isso.

Não é algo que se ganha, tampouco é algo que a popularidade venha confirmar. Ninguém ganha sucesso. Ele é fruto de um trabalho constante marcado pela a fixação de bases sólidas.

Entretanto, vemos pessoas acreditando terem chegado ao sucesso ao experimentarem de maneira rasa, “instantes de êxito”, que não se sustentarão pela inconsistência dos meios que as levaram a tal condição, denunciando a fraude de uma teia de demagogias usada para enredar a muitos e que ao final, enredará também os que a urdiram.



Uma vez presos em suas teias, estes descobrem de maneira nada aprazível que não existe magia capaz de mudar em resultados positivos o imenso vazio deixado pela falta de conhecimento que limita suas habilidades, levando-os a agir pela emoção, com pouca ou sem nenhuma razão.

Aos que insistem em se lançar em atividades que demandam um nível mínimo de preparo, sem tê-lo de fato, aconselha-se a reflexão de diante duas verdades incontestáveis.

A primeira refere-se a uma máxima de cunho popular que afirma: “quanto maior a agressividade, menor a capacidade”. A Segunda, nos leva a um antigo provérbio romano, não menos importante, que diz: dare nemo potest quod non habet, neque plus quam habet. (Ninguém pode dar o que não possui, nem mais do que possui).

O desejo e a vontade, embora necessários, não garantem soluções diante de grandes desafios e tornam válida a lembrança de que estas palavras apenas demarcam o início do caminho a ser percorrido por quem almeja de maneira sensata, abandonar as vociferações em ataques infundados, criando uma cortina de fumaça para desviar a atenção do que realmente importa e ocultar a fragilidade de seus argumentos.

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Tal comportamento nos permite uma analogia ao que diz Carol S. Dweck, em uma de suas obras*, “para estas pessoas, o sucesso tem a ver, pura e simplesmente, com a afirmação de sua superioridade. Ser alguém que vale menos do que todos os ninguéns.”

Mas afinal, quanto custa o sucesso? Posso garantir que seu preço vai além do que algumas mentes limítrofes supõem sê-lo. E justamente por ser tão caro, não pode ser compreendido e nem alcançado pelos que investem em ações que potencializam as dores de determinados grupos, forçando a criação de “vínculos” e também de uma “dívida sem fim”, para que essas mesmas mentes continuem a satisfazer a ilusão de sucesso.

Por fim, devo dizer que o verdadeiro custo do sucesso está em aceitar o desafio da aquisição do saber, está no vencimento da crença de que a sagacidade de uns, sobreposta à ingenuidade de outros, logrará algum benefício para a coletividade. Está em sermos intransigentes diante urgência de contribuir de modo significativo para o bem, desta e das futuras gerações, deixando de divagar sobre uma fina camada de verniz que tenta inutilmente esconder intenções obscuras.

Revelado o preço do sucesso, resta saber:
Quem está disposto a pagar?

Por Juliano Padilha
(Amante da filosofia e da literatura. Graduado em Letras pela Universidade do Planalto Catarinense – UNIPLAC em 2017, convidado no ano seguinte para trabalhar com jovens e adultos em um programa de EAD de
nível Superior, nas disciplinas de Língua Portuguesa, Produção Textual e áreas afins, busco desenvolver também em outros o gosto pela leitura e a escrita, tendo presente que estes, devem ser constantemente ampliados visto a imperiosa a necessidade de se compartilhar conhecimentos caso queiramos que o mundo seja um lugar de se viver)
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