A violência contra a mulher em tempos de pandemia

A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM TEMPOS DE PANDEMIA: QUEM PODERÁ DEFENDER?

INTRODUÇÃO:

Na sociedade brasileira o “machismo” é culturalmente enraizado, pois esse, é um modelo social que prega o paradigma das mulheres como alvo de inferioridade e fragilidade diante da sociedade. A figura masculina ainda é idealizada pela sociedade como único provedor e neste cenário a mulher é vista como alguém que não tem voz. A violência doméstica ocorre em suas divergentes tipologias; física, psicológica, patrimonial, sexual e moral. Tais violências são conhecidas como qualquer atitude que se refere a desigualdade de gênero e que provoque danos maiores como a morte. Mulheres esposas e mães de família, ainda apresentam dificuldades em lidar com relações tóxicas e abusivas em vários ambientes, principalmente em suas residências. Neste contexto, mesmo com a criação da lei Maria da Penha de 7 de agosto de 2006, o número de mulheres nestas condições continua evoluindo no Brasil. Devido à pandemia do novo (corona) vírus, foram adotadas medidas preventivas para evitar disseminação da doença, dentre elas, destaca-se distanciamento social, caracterizado pela reclusão de pessoas de seu meio social à adaptação ao confinamento. Tal afirmativa, potencializou os casos de violência domésticas e familiares do ano 2020 até o momento. Com o intuito de ajudar mulheres a saírem de tais situações de desconforto, foi de grande relevância apresentar as redes comunicações online que são destinadas a apoiar mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Apresentação desta problemática, trouxe a reflexão acerca do desconhecimento da sociedade, sobre as redes de comunicação de ajuda para estas situações. Essas observações, permite repensar-se na busca pela ajuda em tempos de pandemia, já que alguns órgãos não estão em funcionamento fisicamente.

OBJETIVO:

Apresentar redes de comunicação a fim de alcançar maior número de mulheres que necessitem de ajuda profissional.

METODOLOGIA:

Pesquisa bibliográfica realizada através google acadêmico, na busca encontrados artigos publicados em revistas eletrônicas e manuais online de orientação a violência doméstica.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

A violência contra a mulher é um fator de predominância mundial segundo a ONU (organização das nações unidas). Pois, trata-se da violência que atinge desde o estado físico ao psicológico e moral. Pode acontecer em qualquer ambiente, ser executado por outra mulher e/ou outros membros familiares. Porém, infelizmente, sua ascendência é masculina e envolve o companheiro ou ex companheiro das vítimas. Segundo a lei Maria da Penha de 2006, prevalecem cinco categorias de violências domésticas e familiar; física, psicológica, sexual, patrimonial e moral. A violência física refere-se à ação contra a vítima; bater, empurrar, morder, puxar cabelos; na violência psicológica; enganar, diminuir a imagem relacionando ao corpo, rebaixa-la fazendo-se sentir culpada, ter controle geral sobre sua vida e escolhas. Ainda, violência moral; denegrir a imagem da vítima nas redes sociais, entre amigos e familiares, expor as relações intimas para as pessoas. Violência patrimonial; destruir os bens materiais da vítima, como; documentos pessoais e/ou objetos na qual gosta e violência sexual; obrigar a vítima a manter relações e/ou ações sexuais com objetos, visualizar pornografias contra vontade, forçar a vítima a engravidar, entre outros comportamentos inibitórios de sua autonomia. No entanto, devido à pandemia, famílias, inclusive mães, esposas, filhas, crianças e idosos, estão em situação de restrição domiciliar, sem contato com o ambiente presencial entre amigos, trabalho ou em situações pré-existentes de algum tipo dessas violências, ou de todas elas. A violência em geral possui validação multifatorial, pois envolve, relações interpessoais, culturais entre outros aspectos que motivam tais atitudes. No entanto, torna-se comuns, os agressores canalizarem suas ações violentas sobre o uso do álcool, drogas, como justificativa desta prática. Além disso, existem outros fatores como a situação financeira e o desemprego. As vítimas ficam apreensivas, com medo de pedir ajuda devido as ameaças contra a sua vida e /ou de algum familiar, geralmente sentem vergonha de sua situação e omitem os fatos. Por outro lado, a sociedade não tem conhecimento sobre seus direitos como se cidadãos e ser humano. No entanto, existem órgãos onde a vítima pode solicitar ajuda; dentre eles, as redes de proteção; delegacias gerais, delegacias especializadas de atendimento à mulher, centros de referência à mulher, centro de referência assistência social, serviço especializado em abordagem social e ministério público. Entretanto, esses serviços não estão em funcionamento físico integral, devido à pandemia. Portanto, este trabalho vem mostrar possibilidades de redes de comunicação online, como auxílio a proteção das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar, por meio do número 180 Central de atendimento à mulher, com atendimento 24h. Trata-se de um serviço público, que possui gratuidade e confidencialidade, é ofertado pela ouvidoria do ministério da mulher, da família e dos direitos humanos. Quanto a sua utilização, funciona através de ligações de celular e telefone fixo, a ligação é gratuita e também por envio de mensagem eletrônica para: ligue180@mdh.gov.br e pelo aplicativo Proteja Brasil. Profissionais realizam acolhimento e direcionamento para as unidades protetivas pertinentes a cada caso. Além disso, existem outros canais de comunicação via internet e redes sociais, que incentivam a sociedade a buscar ajuda através de mensagens informativas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

A repercussão da pandemia tornou-se um fator de saúde pública, principalmente por estar relacionada também a saúde física e mental. É importante cuidados redobrados com as pessoas ao redor e principalmente consigo. Sobre a procura por auxilio em situação de violência doméstica e familiar, ainda há desconhecimento pela população acerca das redes de atenção que podem auxiliar quando suas vidas estão ameaçadas por agressores. Neste sentindo, este trabalho propôs apresentar locais de referência a assistência às vítimas de violência doméstica e familiar. Demonstrando que todas as pessoas devem conhecer seus direitos e podem ser ajudadas. As redes sociais também possuem canais informativos sobre a temática, utilizada como base e auxílio a situações de riscos. O disque 180, central de atendimento à mulher, trabalha 24h atendendo demandas, qualquer pessoa poderá fazer ligação informando a denúncia, vizinhos, amigos e pessoas próximas, podem ajudar e terá sua identidade preservada. Palavras-chave: Mulheres; Pandemia; Violência; Redes de Comunicação de Ajuda.

REFERÊNCIAS:
Baglioni C, Battagliese G, Feige B, Spiegelhalder K, Nissen C, Voderholzer U, et al. Insomnia as a predictor of depression: a meta-analytic evaluation of longitudinal epidemiological studies. J Affect Disord, dez. 2011;135(1-3):10-19. BANDEIRA, M. L. (2014). Violência de gênero: A construção de um campo teórico e de investigação. Revista Sociedade e Estado, 29(2), 449-469. BRASIL. Lei nº 13.979, de 6 de fevereiro de 2020. GOMES, N. P, Erdmann, A. L., Stulp, K. P., Diniz, N. M. F., Correia, C. M., & Andrade, S. R. (2014). Cuidado às mulheres em situação de violência conjugal: Importância do psicólogo na Estratégia de Saúde da Família. Psicologia USP, 25(1), 63-69 NASCIMENTO, Maria Lucidalva. Violência doméstica e sexual contra as mulheres. Psiqweb. Disponível em< http://www.elacso.org. Acesso em 05 fev. 2021. VIEIRA, Pâmela Rocha; GARCIA, Leila Posenato; MACIEL, Ethel Leonor Noia. Isolamento social e o aumento da violência doméstica: o que isso nos revela. Revista Brasileira de Epidemiologia, v. 23, p. e 200033, 2020.

Por Jacqueline Cardoso Miléo

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