Psicologia Hospitalar e os desafios nos modelos de assistência no combate a pandemia da Covid 19.



INTRODUÇÃO:

Atualmente o mundo vive situações de emergências e desastres ocasionados pela pandemia da SARSCov-2 denominada Covid 19. Segundo a OMS (organização mundial da saúde) trata-se de uma doença infecto contagiosa que surgiu no final do ano de 2019 em Wuhan na China, no qual atingiu vários países. Para evitar o contágio da doença, a organização mundial da saúde, decretou medidas interventivas como o isolamento social, quarentena, distanciamento social, o uso de máscaras e equipamentos de proteção individual, dentre outras medidas protetivas higiênicas. Por estes fatores e principalmente pelo distanciamento social, profissionais de saúde precisaram modificar sua rotina de trabalho, dentre os profissionais, psicólogos hospitalares, que trabalham via home office, ou seja, em casa, por meio de aparelhos eletrônicos, contatando a equipe hospitalar, pacientes e familiares. Diante dessas circunstâncias, evidencia-se o enfretamento da psicologia hospitalar nos desastres e emergências causadas pela pandemia da Covid 19. Reafirma-se ainda, que a psicologia hospitalar enfrenta desafios à nível de assistência aos pacientes, familiares e equipe multiprofissional.

OBJETIVO:

Identificar métodos interventivos de assistência aos pacientes, familiares e equipe, como estratégia de enfretamento a pandemia.

METODOLOGIA:

Refere-se a revisão da literatura, baseada em trabalhos publicados em revistas e periódicos científicos entre os anos 2005 e 2020.

RESULTADOS E DISCUSSÃO:

Diante da pandemia da Covid 19, profissionais de saúde enfrentam calamidade na saúde pública, devido aos riscos que podem ocorrer caso não sigam as medidas preventivas designadas pela organização mundial da saúde. Com este intuito, a organização mundial da saúde formulou orientações hospitalares para evitar propagação do vírus, ou seja, instituições hospitalares elaboraram novos protocolos de medidas preventivas de higiene e uso de equipamentos de proteção individual, incluindo estratégia como distanciamento social. Sendo este, um dos motivos para os profissionais de saúde, principalmente os psicólogos hospitalares, realizarem readaptações quanto as estratégias de acesso aos pacientes, familiares e equipe de saúde. Além disso, as equipes são chamadas de “linha de frente”, por estarem contato direto com os pacientes, sendo eles; médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, equipe de limpeza e alguns membros administrativos que estavam no apoio ao atendimento. Porém, os outros profissionais de saúde como; nutricionistas, assistentes sociais e psicólogos, trabalharam via home office. Com o distanciamento social, o trabalho dos psicólogos a beira do leito, foi possível através do contato virtual, isso em alguns hospitais, que usufruíam desses recursos. Portanto, iniciam-se as formas de lidar com as situações emergentes da pandemia. Em hospitais particulares que haviam recursos tecnológicos, como tablet, celulares e internet, puderam ser realizadas intervenções com os pacientes internados que estavam sem contato com os familiares fisicamente. Os psicólogos hospitalares via home office puderam contatar a equipe de saúde para ter acesso aos pacientes por meio de vídeo chamada. Eram priorizados contatos com aqueles que estavam passando por crises emocionais ocasionados pelo não contato físico. Importante frisar que os profissionais de saúde que apresentavam problemas emocionais decorrentes da pandemia, também foram atendidos pelos psicólogos e em alguns casos, foram encaminhamentos para psicoterapia fora do local de trabalho, seguindo código de ética sobre o exercício profissional do psicólogo. Por outro lado, usou-se medidas interventivas, o uso do celular para contato com a família e equipe, os psicólogos criaram grupo de mensagens de trocas para exercer ações de psicoeducação com familiares e equipe, afim de informatizá-los de forma preventiva e educativa, fazendo o uso temáticos da saúde mental na pandemia, destacando o autocuidado com saúde em si. Além disso, o principal objetivo dessas estratégias com a equipe, era mantê-la equilibrada, atenta aos cuidados consigo e com os pacientes, além de promover bem-estar psicológico no momento de crise. Foram encontradas outras dificuldades com pacientes especiais cognitivos, deficiência auditiva e visual dentre eles, pacientes idosos com relação aos equipamentos de comunicação, que precisou de maiores cuidados da equipe em sua execução.

CONCLUSÃO:

Observou-se que a equipe de saúde e principalmente a psicologia hospitalar, encontraram desafios decorrentes as estratégias de manejo aos pacientes hospitalizados, familiares e equipe. Com a utilização das tecnologias, via home office, esse trabalho pôde ser realizado com êxito, apesar de suas dificuldades na comunicação. Porém, foi de extrema importância a atuação da equipe como apoio ao acesso aos pacientes e familiares, que demonstraram determinação na execução das tarefas. Isto é, perante as práticas incomuns nas rotinas de trabalho. Foi possível perceber que as práticas assistenciais na psicologia hospitalar estão em constantes transformações e que seu diferencial é completamente mutável, suas práticas estão voltadas atualizações, pesquisas, aprimoramento profissional e pessoal. Entende-se também que todo profissional da saúde que trabalha com o cuidado com o “outro”, necessita de cuidados também, principalmente no que tange saúde mental, visto que, nunca se está preparado para acontecimentos como a pandemia, entretanto se faz necessário buscar atualizações nas práticas hospitalares e identificar formas ativas de manejo das ferramentas tecnológicas como auxílio no contexto hospitalar.


Palavras-chave: Psicólogo Hospitalar; Pandemia; Pacientes; Equipe de saúde


REFERÊNCIAS:
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Por Jacqueline Cardoso Miléo
E-mail do autor: jackmileo@hotmail.com

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