Eu erro, tu erras: verbo persistente

Errar: de acordo com as definições dos mais diversos dicionários, eis aqui um verbo transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo também. E mesmo com essas múltiplas definições, insistimos em reduzir o referido verbo a algo repreensível e ruim.

Ora, qual sentido estamos buscando em tal insistência, se incorrer em engano é comum, é corriqueiro e algo inerente à vida?



Os erros transitam entre as frases/fases da vida e ainda assim, é frequente que sejam sentidos como um drama Shakespeariano, advindos de um Superego que, esse sim, está intransitivo: não dá trégua, insiste, persiste, exige de nós e do outro e, por vezes, pune tudo na mesma sentença, comprometendo nossa capacidade de avaliar antes o que há de aprendizado e dano e quais as possíveis reparações que existem na situação.

Ou mesmo, ter o erro como consequência daquele inconsciente que não se cansa de aparecer entre atos falhos e chistes e esquecimentos, até ser visto, traduzido. Compreendido. Grita, clama, erra pedindo compreensão, fazendo jus à máxima freudiana: Recordar, repetir para então elaborar.

Seguindo seu fluxo transversal entre os saberes, temos aqui o que a gramática e a psicologia nos mostram: toda regra pode ter uma exceção, que é preciso FLEXIBILIDADE para que a vida e a comunicação possam fluir sem cisões e julgamentos invalidados pelos extremos maniqueístas nos quais, por vezes, nos vemos presos, tão pouco nas mãos de nossos desejos ainda “não-pensados”, sobretudo em tempos em que o isolamento social vigora em decorrência da pandemia do COVID-19.

Como está sua flexibilidade em relação aos seus erros?

Você passa mais tempo punindo e sendo punido(a) por eles ou apreende o que a situação tem para mostrar?

Imagens retiradas do Acervo Google

Por Natália T. Montagner
Psicóloga Clínica (CRP 06/114971)
Especialista em: Clínica em Saúde Mental
@prosa.de.psi

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